domingo, 27 de julho de 2008

Liberdade parelela

Ainda estou acordada tentando decidir o que fazer com a vida, que caminha tão sem pressa até lugar algum! Ainda posso ouvir o som do vento batendo no coqueiro, chacoalhando as folhas, que assim se entrelaçam e sonoramente se abraçam...
Não estou muito bem, dormi a tarde toda por conseqüência daquela garrafa vazia de vodka que está logo ali no canto, deitada como se fosse o fim da guerra dela comigo, lutando contra minha súbita vontade de esvaziá-la. E olha como ela está agora, rendida e morta sobre o chão!
Nesse quarto iluminado por essa lâmpada de segunda comprada no mercadinho da esquina, que freqüentemente falha, sinto-me presa... Mas não presa a essas paredes que suportam o teto e tira o meu ar, nem a minha vontade louca de jogar tudo ao vento e vê-lo cair pelo chão para poder caminhar sobre os destroços da vida! Mas presa ao meu louco medo de ser julgada pelos olhos famintos por superioridade das pessoas, em cada erro que insisto em cometer!
E aqui, pensando nessa irônica vida que insiste em nos levar pelo caminho mais descontente, tento entender o porque das pessoas se esquivarem tanto de sofrer, se sofrer é resultado da tristeza, e a tristeza é a mais singela conseqüência da alegria, assim como morrer é o triste resultado da vida!
... Minha cabeça dói, minhas mãos tremem! Preciso urgentemente de “algo errado” para retomar minhas forças; fugir as regras; burlar as leis; julgar os reis; rir da democracia; andar nua pelas ruas da cidade; e por fim, passar a eternidade rindo com meu riso e tomando acerto com a minha consciência!
Agora... Acho que perdi minhas falas, esqueci meu texto, enlouqueci meus sonhos, e fiquei sem reação frente ao mundo que bate na minha porta pra dizer “Boa noite”! E fora isso, ouça... O silêncio... Vê? É nele que sonho viver!
Vivo o tempo perdido do futuro, e a cada minuto passado à desgraça de não ter cumprido com as minhas palavras vãs e cheias de esperanças, prometidas a mim mesma por algo melhor!
E hoje escrevo! Como se fosse o meu maior refugio da solidão encontrada no meu quarto solitário, preso entre o chão e o teto; e escrevo como se fosse ser reconhecida pelas besteiras escritas em um pedaço de papel que perderei futuramente. E hoje eu escrevo por ser a melhor forma que encontrei para viver...
E vivo assim como escrevo, faltando nexo em cada parágrafo, sem justificativa para cada dia e sem verdade para cada sonho!
Afinal, essa sou eu! Ninguém no mundo de insanos que procuram um pouco de sensatez!

Um comentário:

Fabiana Setti disse...

Poema que demonstra nossa miserável condição humano em meio à estimulos externos. Texto claro, coerente e profundo. UM abraço Camila e votos de felicidades.