sábado, 7 de janeiro de 2012

Ao novo

Essa manhã, Ana não acordou se sentindo muito bem. Seu mundo girava! Parecia que a noite anterior se agregou com a manhã, remetendo não haver o intervalo do sono. As idéias, pensamentos aleatórios, e aquele sentimento que remoia há meses, ainda estavam ali. Desse modo, Ana sentia que, desde o início desse sentimento, não houvera intervalo para outra coisa a não ser senti-lo. Remoia. Replanejava o passado, se afundava em uma lama. O que sentia era uma areia movediça. Não a deixava seguir em frente, não a deixava em paz!

Atordoada, presa em si e ao mundo que criou em torno daquilo que não era saudade, não era amor e nem carinho, mas algo, uma mistura de perca com posse, Ana relutou. Exausta de si, lavou o rosto como se a água penetrasse os seus poros e os renovasse. Ela sentia que o novo precisava vir. Mas o apego ao que sentia, e não exatamente pela pessoa, não a deixava seguir. Rasgar as fotos, as cartas, removê-la do seu mundo, nada ajudava.

Desceu correndo as escadas do prédio como se o mundo fosse absorvê-la, e correr lhe dava a impressão de liberdade! Ah! A liberdade que Ana tanto procurava. Seria simples se ela simplificasse. Por que não? Por que Ana não conseguia, simplesmente, deixar de lado os dogmas, o passado, o já feito? Por que ela não consegue viver o presente? O instante?

Na rua, frente à multidão que passa, grita, silencia, corre, anda, rasteja; Ana era quem parava! Permaneceu intacta observando o que prende e o que liberta aos outros. Sentiu uma gota de chuva pingar no seu ombro desnudo, e percorrer até seu dedo indicador, e cair no chão: Naquele momento, Ana sentia que o novo estava vindo, e que era livre.

Um comentário:

Carolina M* disse...

A liberdade é conseguir ser preso sem trauma algum.
Lindo blog, Meloni.
:*